O Partido Socialista Português foi fundado em 1875 depois de um conturbado período prévio durante o qual o núcleo inicial (Fraternidade Operária) nasceu vinculado ao bakuninismo. Rapidamente reorientado ao marxismo, permaneceu nas organizações socialistas da Primeira e da Segunda Internacional. Durante a Primeira República Portuguesa viveu uma situação contraditória entre a colaboração com o Governo e a perda de apoio nas massas de trabalhadores. Os sistemas políticos da Ditadura Militar e do Estado Novo dificultaram a sua sobrevivência, sendo substituído por uma nova organização surgida em 1964.
A oposição católica à ditadura do Estado Novo é uma história portuguesa, mas também nos leva a outros lugares importantes da formação e intervenção religiosa, cultural e política do catolicismo – de Lovaina, na Bélgica, à América Latina da Teologia da Libertação.
O periódico operário O Protesto foi fundado em 1899 na cidade do Rio de Janeiro e dirigido pelo imigrante português Joaquim Mota Assunção. Esta entrada analisa a diáspora portuguesa no processo, sublinhando o seu papel na construção transnacional do movimento operário e nas articulações das suas principais correntes e estratégias, como o anarquismo, o sindicalismo revolucionário e o internacionalismo.
Durante os chamados “Longos Anos Sessenta” emergiram novos movimentos, num processo marcado por uma grande interligação transnacional e que exigiu a revisão da forma como as próprias ciências sociais entendiam o conflito. O caso português participou desse movimento mundial, ao mesmo tempo que a sua especificidade oferece um novo olhar sobre a dinâmica daqueles que ficaram também conhecidos como os “Anos Sessenta Globais”.
Vista como uma idade de trevas, violência e superstição ou, alternativamente, de civilização e valores cavalheirescos e comunitários, o período histórico habitualmente designado como “Idade Média” exerce desde há muitos séculos um fascínio enorme, que se perpetua até hoje e se estendeu às mais diferentes geografias. A história dos medievalismos em Portugal está indelevelmente ligada a acontecimentos políticos, transformações socioeconómicas e correntes culturais que marcaram outros países ao longo da época contemporânea.
Antigo combatente da luta armada de libertação de Moçambique, Matias Tomé Upinde (1945-2024) é uma figura quase desconhecida, tanto em Moçambique como em Portugal. No entanto, enquanto Comandante de Batalhão das Forças Internacionalistas de Moçambique no Zimbabué (1978-1980), a sua história de vida, narrada pelo próprio, em 2023, durante uma visita ao Monumento e Centro de Interpretação da Matola, no âmbito da Conferência Internacional “Samora Machel e a África Austral”, convida-nos a repensar o lugar da República Popular de Moçambique enquanto “Estado da Linha da Frente” na região da África Austral, cruzando a resistência ao colonialismo português, o combate ao regime de minoria branca da Rodésia do Sul e a luta contra o apartheid na África do Sul.
D. Maria Constança da Câmara (1801-1860), sétima marquesa de Fronteira por casamento, foi uma aristocrata portuguesa de percurso biográfico praticamente desconhecido até à recente publicação do seu diário. Antes disso, as poucas referências existentes reportavam-se às memórias do seu marido e à biografia laudatória publicada após a sua morte. Filha, irmã e mulher de aderentes à causa liberal, tais laços familiares levaram-na a emigrar, nas décadas de 1820 e início de 1830, para diversos reinos europeus, permitindo-lhe o contacto com diferentes nações, culturas, aristocracias e artistas, o que lhe deu uma dimensão transnacional, comum a outros portugueses emigrados neste período.