Analisa-se a presença histórica do Islão e das confrarias sufis em Moçambique. Séculos antes da colonização portuguesa, ordens como a Qadiriyya e a Shadhiliyya expandiram-se por rotas comerciais, promovendo literacia, educação e prática religiosa. Apesar da política católica colonial, prosperaram, moldando as comunidades muçulmanas do Norte. Atualmente, rituais sufis coexistem com movimentos reformistas como wahhabitas e deobandis, refletindo diversidade e disputas religiosas persistentes.
Antigo combatente da luta armada de libertação de Moçambique, Matias Tomé Upinde (1945-2024) é uma figura quase desconhecida, tanto em Moçambique como em Portugal. No entanto, enquanto Comandante de Batalhão das Forças Internacionalistas de Moçambique no Zimbabué (1978-1980), a sua história de vida, narrada pelo próprio, em 2023, durante uma visita ao Monumento e Centro de Interpretação da Matola, no âmbito da Conferência Internacional “Samora Machel e a África Austral”, convida-nos a repensar o lugar da República Popular de Moçambique enquanto “Estado da Linha da Frente” na região da África Austral, cruzando a resistência ao colonialismo português, o combate ao regime de minoria branca da Rodésia do Sul e a luta contra o apartheid na África do Sul.