O conceito de latinidade emergiu no século XIX, no contexto do Risorgimento italiano, como um projeto político e cultural que visava fortalecer os laços entre as nações de matriz latina na Europa e nas Américas Central e do Sul. Associado ao romantismo e ao nacionalismo, este conceito foi instrumentalizado por diferentes correntes ideológicas, e, em particular, pelo fascismo italiano. Contudo, com a aproximação da Itália fascista à Alemanha nazi, a ideia de uma comunidade panlatina foi, progressivamente, esvaziada.
Inicialmente influenciado por algumas das principais figuras da direita reacionária francófona, Rolão Preto (1893-1977) viria a aproximar-se do fascismo, sob influência de figuras italianas como Corradini e D’Annunzio. Líder do Movimento Nacional-Sindicalista, seguidor de Mussolini, entraria em conflito com Salazar no período inicial da ditadura do Estado Novo e passaria mesmo algum tempo exilado em Espanha. Já na segunda metade do século, terá renegado o fascismo, e em particular pensadores como Sorel e Maurras, que o haviam influenciado no início da sua carreira política.