Durante o Estado Novo, a indústria cinematográfica dos Estados Unidos da América (EUA), habitualmente designada por Hollywood, produziu mais de quarenta filmes de ficção cujo enredo se desenrola, pelo menos parcialmente, em Portugal ou nas suas colónias. Em conjunto com as intervenções de políticos, diplomatas, propagandistas, jornalistas e ativistas, estes produtos comerciais contribuíram para a disseminação de imagens e ideias sobre Portugal, sendo que o cinema de Hollywood se destacava pelo amplo apelo de massas, pelo vasto aparato publicitário e pela distribuição em grande escala, tanto dentro quanto fora dos EUA (incluindo em Portugal, onde ocupava a maioria do mercado). Dado o parco envolvimento de figuras e organismos portugueses nestas produções, o seu estudo revela como a projeção internacional de Portugal neste período se deveu a impulsos externos e não apenas internos. Ainda assim, com a exceção da representação do colonialismo em Macau, a tendência geral foi para uma sintonia entre os discursos de Hollywood e o do Estado Novo, nomeadamente em termos do posicionamento do país na Segunda Guerra Mundial, na Guerra Fria e na ascensão do turismo.
As pragas de gafanhotos devastam colheitas, causando pobreza e fome em diversas regiões. Esses episódios, recorrentes e transnacionais, desafiam fronteiras e exigem cooperação entre países, como ocorreu em Portugal e Espanha em 1898.
A família Prats, originária de Llagostera, um dos principais núcleos corticeiros de Girona, consolidou desde meados do século XIX uma trajetória empresarial profundamente ligada à indústria da cortiça. Ao longo de várias gerações, os membros da família fundaram fábricas, armazéns e empresas exportadoras, estabeleceram alianças comerciais transnacionais e criaram uma rota estável de exportação com Hamburgo, que se tornou um ponto-chave para os seus negócios. As redes familiares, a mobilidade geográfica e a capacidade de adaptação moldaram a trajetória dos Prats no sector corticeiro, cuja evolução foi influenciada por conjunturas internacionais e pela crescente hegemonia portuguesa na indústria.
Após a Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974, Timor-Leste enfrentou um longo e turbulento processo de autodeterminação, que incluiu duas proclamações de independência. No início, ao longo de ano e meio, houve uma tentativa de garantir uma autodeterminação “exemplar”, que foi interrompida pela erupção de uma breve e sangrenta guerra civil, com a proclamação unilateral da independência e com a invasão militar indonésia. Seguiu-se, ao longo de 24 anos, o domínio neocolonial de Jacarta, alvo de intensa contestação popular, até que um referendo conduzido sob os auspícios da ONU ditou a recusa de um estatuto de autonomia no quadro da soberania indonésia, abrindo as portas à chamada “restauração” da independência, proclamada a 20 de Maio de 2002, no termo de um período de administração direta pelas Nações Unidas. Esta entrada debruça-se sobre a primeira proclamação.
Em diferentes países da Europa do Sul, verificaram-se protestos com grande expressão social em resposta às políticas de austeridade implementadas por governos nacionais e por instituições internacionais. Em Portugal, destacar-se-ia o movimento Que se Lixe a Troika, estabelecendo relações com movimentos e ações desenvolvidas noutros países, nomeadamente em Espanha, e assumindo de forma renovada a herança da Revolução de Abril.
A 1 de fevereiro de 1908, num ambiente de crescente descontentamento e agitação política, o rei e o príncipe herdeiro são mortos no Terreiro do Paço, em Lisboa. A singularidade deste evento na história portuguesa deve ser articulada, de forma comparativa, com acontecimentos similares que têm lugar na Europa e nos Estados Unidos da América naquele período.
A seguir à Revolução dos Cravos, Portugal viu-se confrontado com o retorno dos seus colonos de Angola e Moçambique. A chegada de cerca de meio milhão de retornados durante o PREC representou um desafio suplementar para as autoridades. Como em França na década anterior, que teve de acolher os pieds-noirs da Argélia, os diferentes governos que se sucederam tiveram de implementar um conjunto de medidas visando a integração desta população.
A utilização do sabão pode ser abordada no âmbito da história da vida privada, ou até no campo da economia e da investigação química, com o desenvolvimento das saboarias e da indústria dos detergentes. Tema que extravasa fronteiras, permite reflexões sobre higiene, saúde pública, propriedades fitoterápicas de certos sabões e a patrimonialização do limpo e do sujo, remetendo para diferentes dimensões políticas e culturais do corpo.