Após uma primeira proclamação ainda na década de 1970, e depois de sofrer o domínio neocolonial de Jacarta ao longo de 24 anos, Timor-Leste viria por fim a conquistar a sua independência a 20 de Maio de 2002, no termo de um período de administração directa pelas Nações Unidas e de um processo de solidariedade internacional de que participaram, entre outros, diferentes actores portugueses.
Instalada numa pequena aldeia na zona do Ribatejo, em Portugal, a Sociedade Anónima de Rádio-Retransmissão, S.A.R.L, mais conhecida como RARET, desempenhou um papel importante nas disputas de propaganda e informação durante a Guerra Fria. A sua história ligou o conflito entre norte-americanos e soviéticos ao posicionamento externo da ditadura portuguesa, desde o pós-segunda guerra mundial até ao tempo da democracia, passando pelas tensões internacionais relativas à guerra colonial.
A televisão em Portugal surgiu em 1956 como um projeto de modernização, assente em intensas relações transnacionais. Integrada em redes europeias, dependente de tecnologia, formatos e conteúdos estrangeiros, a RTP combinou, durante o Estado Novo, serviço público, influência anglo-americana e controlo censório, moldando práticas culturais, consumo, sociabilidades e quotidianos, evoluindo depois, num quadro de mudanças políticas e económicas, no sentido de uma aproximação ao ethos da televisão comercial.
Sensivelmente desde finais do século XVIII que a chegada de camponeses à orla das cidades para trabalharem em fábricas foi acompanhada da migração de jovens camponesas à procura de trabalho doméstico. Os contornos da sua inscrição na vida privada têm sido marcados por uma grande invisibilidade, hoje igualmente notória num contexto pós-colonial, com a deslocação de trabalhadoras domésticas jovens, provenientes de países empobrecidos, para países com economias terciarizadas, do Norte Global.
Este texto examina a trajetória do turismo em Portugal, enfatizando sua conexão com processos transnacionais. Sugere-se que uma leitura conectada da história do turismo em Portugal tenha como objetivo analisar como, ao longo do último século e em função dos diferentes contextos políticos ou económicos, os atores nacionais encararam ou refletiram sobre a dimensão transnacional do fenómeno turístico.