O jardim do Príncipe Real era um dos endereços mais exclusivos de Lisboa na década de 1880. Nos palacetes construídos à volta do jardim moravam vários grandes “empresários” portugueses. Este texto discute as histórias que se escondem por detrás desses edifícios e dos seus proprietários, das quais fazem parte indústrias e bancos portugueses, mas também escravos africanos, borracha da amazónia, imaginários urbanos parisienses e cultura arquitectónica italiana.
Da autoria da escritora mexicana María Enriqueta Camarillo, Brujas, Lisboa, Madrid (Madrid: Espasa-Calpe, 1930) relata as impressões da viagem da autora pela Europa entre 1913 e 1927 (Martínez Andrade 2012: 723). Não se trata, porém, de um livro de viagens no sentido habitual, uma vez que, ao invés de detalhar o itinerário seguido pela autora, enfatiza o impacto emocional que sobre ela tiveram os lugares visitados ou as obras de arte vistas. Constitui um trabalho inovador na trajetória de Camarillo, que até então só tinha publicado poesia, romances e contos e que, com este livro, se aventura num género que entrelaça autobiografia, cenas de costumes, lendas e anedotas.