A televisão em Portugal surgiu em 1956 como um projeto de modernização, assente em intensas relações transnacionais. Integrada em redes europeias, dependente de tecnologia, formatos e conteúdos estrangeiros, a RTP combinou, durante o Estado Novo, serviço público, influência anglo-americana e controlo censório, moldando práticas culturais, consumo, sociabilidades e quotidianos, evoluindo depois, num quadro de mudanças políticas e económicas, no sentido de uma aproximação ao ethos da televisão comercial.
O Partido Socialista Português foi fundado em 1875 depois de um conturbado período prévio durante o qual o núcleo inicial (Fraternidade Operária) nasceu vinculado ao bakuninismo. Rapidamente reorientado ao marxismo, permaneceu nas organizações socialistas da Primeira e da Segunda Internacional. Durante a Primeira República Portuguesa viveu uma situação contraditória entre a colaboração com o Governo e a perda de apoio nas massas de trabalhadores. Os sistemas políticos da Ditadura Militar e do Estado Novo dificultaram a sua sobrevivência, sendo substituído por uma nova organização surgida em 1964.
O periódico operário O Protesto foi fundado em 1899 na cidade do Rio de Janeiro e dirigido pelo imigrante português Joaquim Mota Assunção. Esta entrada analisa a diáspora portuguesa no processo, sublinhando o seu papel na construção transnacional do movimento operário e nas articulações das suas principais correntes e estratégias, como o anarquismo, o sindicalismo revolucionário e o internacionalismo.
As festas do Espírito Santo tiveram origem, em Portugal continental, no início do século XIV. Iniciaram, a partir do século XVI, um conjunto de viagens – associadas a diferentes fases da globalização – que as irão conduzir sucessivamente aos arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores e, a partir do século XVII, ao Brasil. Desde finais do século XIX acompanharam também a emigração açoriana para a América do Norte, onde se realizam hoje festas nos EUA no Havaí, na Bermuda e no Canadá.
O Acordo de Alvor, assinado em janeiro de 1975 entre o governo português e os principais movimentos de libertação de Angola, marcou o início formal do processo de descolonização do país. Este acordo representou uma solução negociada singular no contexto das independências das colónias do império português, ao prever a realização de eleições para uma Assembleia Nacional em Angola, que, contudo, nunca chegaram a realizar-se.
A colonização interna foi um conjunto de ideias, políticas e técnicas que visaram promover conjugadamente a agricultura e a ocupação humana de regiões consideradas desertas ou pouco produtivas de Portugal, em particular os baldios e os “incultos” dos latifúndios do Sul. Durante o Estado Novo, e especialmente durante a década de 1950, o projecto colonizador foi desenvolvido em articulação internacional, nomeadamente com a Espanha franquista e a democracia cristã italiana.