No ano de 1936, o foneticista português Armando de Lacerda (1902-1984) criou na Universidade de Coimbra o Laboratório de Fonética Experimental. Equipado com modernos cromógrafos e aplicando métodos inovadores para a análise dos sons da linguagem, este espaço chegou a ser considerado por diversos membros da comunidade internacional como o mais avançado laboratório de Fonética Experimental da Europa. O estudo científico da fala humana desenvolvido por Lacerda atraiu ao longo de décadas investigadores dos quatro cantos do mundo, transformando o seu laboratório num dos centros da ciência fonética a nível global.
Em 1950, Portugal aderiu à Comissão de Cooperação Técnica na África ao Sul do Saara (CCTA). No espaço português, e ao longo de cerca de uma década, a CCTA deu um novo impulso à investigação em várias especialidades científicas, em particular nas ciências sociais. No contexto desenvolvimentista do pós-guerra, a participação de Portugal na CCTA contribuiu para relegitimar o seu domínio colonial em África. No entanto, a história destas relações trans-imperiais tem um interesse que ultrapassa as dinâmicas particulares de cada estado: ela dá conta das raízes coloniais de uma parte importante das ciências sociais contemporâneas.
O Instituto Bacteriológico Câmara Pestana (IBCP) foi fundado em Lisboa em 1892, no quadro de um movimento europeu de afirmação dos laboratórios como instituições centrais da produção científica. Com a identificação de bactérias como agentes patológicos, na transição do século XIX para o século XX, os microscópios passaram a ser instrumentos fundamentais nas práticas biomédicas. O IBCP, as redes internacionais em que se inseriu e as ligações que ajudou a criar são um excelente exemplo do impacto da revolução bacteriológica nas áreas da saúde e medicina em Portugal.