O Acordo de Alvor, assinado em janeiro de 1975 entre o governo português e os principais movimentos de libertação de Angola, marcou o início formal do processo de descolonização do país. Este acordo representou uma solução negociada singular no contexto das independências das colónias do império português, ao prever a realização de eleições para uma Assembleia Nacional em Angola, que, contudo, nunca chegaram a realizar-se.
A colonização interna foi um conjunto de ideias, políticas e técnicas que visaram promover conjugadamente a agricultura e a ocupação humana de regiões consideradas desertas ou pouco produtivas de Portugal, em particular os baldios e os “incultos” dos latifúndios do Sul. Durante o Estado Novo, e especialmente durante a década de 1950, o projecto colonizador foi desenvolvido em articulação internacional, nomeadamente com a Espanha franquista e a democracia cristã italiana.
Durante o Estado Novo, a indústria cinematográfica dos Estados Unidos da América (EUA), habitualmente designada por Hollywood, produziu mais de quarenta filmes de ficção cujo enredo se desenrola, pelo menos parcialmente, em Portugal ou nas suas colónias. Em conjunto com as intervenções de políticos, diplomatas, propagandistas, jornalistas e ativistas, estes produtos comerciais contribuíram para a disseminação de imagens e ideias sobre Portugal, sendo que o cinema de Hollywood se destacava pelo amplo apelo de massas, pelo vasto aparato publicitário e pela distribuição em grande escala, tanto dentro quanto fora dos EUA (incluindo em Portugal, onde ocupava a maioria do mercado). Dado o parco envolvimento de figuras e organismos portugueses nestas produções, o seu estudo revela como a projeção internacional de Portugal neste período se deveu a impulsos externos e não apenas internos. Ainda assim, com a exceção da representação do colonialismo em Macau, a tendência geral foi para uma sintonia entre os discursos de Hollywood e o do Estado Novo, nomeadamente em termos do posicionamento do país na Segunda Guerra Mundial, na Guerra Fria e na ascensão do turismo.
Entre o final do século XIX e a década de 1950, a produção cerealífera em Portugal esteve condicionada por uma carência persistente de fontes de azoto, tanto orgânicas como químicas. A história da adubação azotada oferece um olhar complexo sobre a agricultura portuguesa, conjugando as dinâmicas biológica e geoquímica do solo, o desenvolvimento científico e industrial do país e a emergência de uma geopolítica agro-militar do azoto.
Presença assídua nas manhãs de muitos de nós, o café e a sua economia global têm uma história de que o império português participou, com destaque para Angola, que se tornou um dos maiores produtores mundiais do produto.
Nascido em Angola, Bonga é um dos principais intérpretes e criadores da música popular angolana. A sua obra faz parte não apenas da história contemporânea de Angola, mas também da história das canções de protesto contra o regime colonial português.
Esta entrada analisa o envolvimento de Portugal na extração de diamantes, designadamente em Angola durante o século XX. Discute a fundação da DIAMANG, empresa colonial de mineração com sede em Lisboa, mas na prática transnacional, uma vez que dependia da gestão, do financiamento e da experiência no terreno de uma série de atores localizados nos EUA, na Bélgica, na África do Sul e na Grã-Bretanha.
No século XX, Portugal tornou-se líder mundial no setor corticeiro, cuja receita provém da exportação de produtos derivados desta matéria-prima. Sendo um negócio internacionalizado, a presença de agentes económicos estrangeiros, sobretudo no século XIX, foi essencial para o seu desenvolvimento. Esta entrada resume a evolução do setor da cortiça em Portugal no período contemporâneo, destacando as constantes ligações transnacionais que têm contribuído para sustentar um dos principais setores da economia portuguesa.
Este texto examina a trajetória do turismo em Portugal, enfatizando sua conexão com processos transnacionais. Sugere-se que uma leitura conectada da história do turismo em Portugal tenha como objetivo analisar como, ao longo do último século e em função dos diferentes contextos políticos ou económicos, os atores nacionais encararam ou refletiram sobre a dimensão transnacional do fenómeno turístico.
A oposição católica à ditadura do Estado Novo é uma história portuguesa, mas também nos leva a outros lugares importantes da formação e intervenção religiosa, cultural e política do catolicismo – de Lovaina, na Bélgica, à América Latina da Teologia da Libertação.
Em meados do século XIX, o botânico austríaco Friedrich Welwitsch (1806-1872) foi uma figura-chave na produção de conhecimento científico sobre o Império Português. As suas coleções de flora africana e a intensa correspondência com alguns dos mais eminentes botânicos da época fizeram dele um protagonista de uma história mais alargada das múltiplas relações entre ciência e colonialismo.
Instalada numa pequena aldeia na zona do Ribatejo, em Portugal, a Sociedade Anónima de Rádio-Retransmissão, S.A.R.L, mais conhecida como RARET, desempenhou um papel importante nas disputas de propaganda e informação durante a Guerra Fria. A sua história ligou o conflito entre norte-americanos e soviéticos ao posicionamento externo da ditadura portuguesa, desde o pós-segunda guerra mundial até ao tempo da democracia, passando pelas tensões internacionais relativas à guerra colonial.
As agências de passagens e passaporte foram agentes intermediários privilegiados no estímulo às migrações portuguesas contemporâneas transatlânticas. Nesta entrada podemos compreender os seus perfis socioprofissionais e, a partir de Portugal, o seu modus operandi realizado a partir das suas conexões transnacionais.